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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015






Você não entendeu errado, eu escrevi uma monografia de qualificação em apenas um mês e neste post vou demonstrar de forma prática como criar um cronograma de trabalho. O sucesso da sua monografia de qualificação só depende da preparação, acompanhamento, revisão e principalmente PLANEJAMENTO.

Em todos os cursos strictu sensu é necessário apresentar uma prévia da pesquisa, o que denomina-se qualificação. A qualificação geralmente é apresentada na forma de uma monografia e arguição oral, o que avalia de fato as condições do candidato ao mestrado ou doutorado prosseguir com o projeto de pesquisa. 

Durante a arguição é conhecido o andamento das pesquisas em consonância por meio das referências utilizadas, delimitação do contexto, problema e proposta de solução, além de um estudo sobre o estado da arte dos temas relacionados com a pesquisa.

Curiosidade: Todos os estudantes quando entram num curso strictu sensu são denominados candidatos, exemplo: M.Sc. Candidate ou PhD Candidate. Após sua pesquisa ser aprovada numa banca de qualificação ele se torna M.Sc. Student ou PhD Student.

Voltando a escrita da monografia de qualificação, eu vou passar alguns passos importantes para que tenha sucesso:
  1. Saiba como escolher um bom orientador. Não se apresse em escolher qualquer um, é preciso saber se de fato ele terá alguma experiência e maturidade para orientá-lo. Aqui eu escrevi de forma bem prática alguns critérios e estilos de orientação.
  2. Faça um controle das reuniões com o seu orientador. Cada reunião registre os objetivos, problemas encontrados, recomendações que ele proferiu e sinalize os avanços obtidos.
  3. Escreva um resumo. Um resumo irá organizar a sua ideia encadeando de forma lógica e clara o contexto, motivação, problema, objetivos e solução. Aqui eu escrevi e analisei uma heurística que irá ajudar na elaboração do seu resumo.
  4. Faça uma revisão sistemática. Uma revisão sistemática é um método bastante utilizado pela área de engenharia de software. Define os passos necessários para elencar o estado da arte sobre tópicos de pesquisa por meio de um experimento.
Agora que já tem a proposta do seu projeto validada com seu orientador e o relatório contento o estado da arte dos tópicos da sua pesquisa, defina a estrutura da monografia de qualificação. Escreva um documento contendo:
  •  Introdução (contextualização, motivação, objetivos e organização);
  • Visão geral do tópico de pesquisa, onde terá que apresentar o conhecimento básico sobre uma determinada área de pesquisa, subárea até chegar ao tópico pesquisado. Faça isso de forma suave e com uma boa transição de conteúdo;
  • Apresente agora um aprofundamento do tópico da pesquisa, por meio da revisão sistemática que foi feita antes. Comece por escrever as considerações iniciais, conceitos básicos, em seguida discorra sobre o tópico pesquisado, discutindo os pontos importantes delimitados no contexto da sua pesquisa e motivação do trabalho. Finalize a seção com as considerações finais;
  • Se houver outro tópico, repita a mesma estrutura. Isso também vale se a pesquisa tiver abrangência de duas área de pesquisa, exemplo Processamento de Imagens e Arquitetura de Software. Como foi o meu caso.
  • Por fim, escreva o seu plano de trabalho. Comece também pelas considerações iniciais, relembre os objetivos, demonstre claramente a metodologia que irá utilizar na condução da sua pesquisa, as atividades principais, seu cronograma de trabalho e os resultados esperados;
  • Não esqueça de colocar as referência encontradas durante a revisão sistemática;
Planeje um cronograma de trabalho para escrita de cada seção e subseção com uma medida de esforço necessária por dia, neste caso, páginas. Esse é o segredo para medir se você vai conseguir terminar a monografia de qualificação no prazo!

Eu escrevi a monografia de qualificação em um mês, porque antes de começar o trabalho, conversei com meu orientador. Aliás, excelente orientador! Ele aceitou o desafio de me orientar poucos meses antes da qualificação. Eu segui todos esses passos, planejando cada uma dessas atividades antes da escrita, por isso sabia exatamente quanto tinha que escrever por dia. Também, estruturei todas as informações de escrita e referências em subpastas da mesma forma que a estrutura a ser escrita, assim não perdia tempo procurando referências. 


Para organizar o conhecimento necessário para executar as atividades de escrita da qualificação utilizei um mapa mental. Aqui eu demonstro um exemplo.

Acredito que apenas ao ler esse post você não irá de imediato obter todo o conhecimento necessário sobre escrita científica, mas poderá utilizá-lo como ponto inicial do seu projeto. Inclusive saber avaliar a maturidade do seu orientador e acompanhar toda a sua pesquisa.

Durante o mestrado eu fiz um plano de todo curso, desde os estudos de disciplinas, escrita da monografia de qualificação e repeti todo o processo para a escrita da dissertação. Se você não acredita que escrevi uma monografia de qualificação sobre um tema diferente (porque troquei de orientador), veja o cronograma abaixo e perceba como o PLANEJAMENTO faz toda a diferença.

 
Ah! Você vai ver na figura que o planejado foram 45 dias e não um mês. Fiquei sabendo que tinha que entregar a monografia de qualificação 15 dias antes para defender no dia 31/05/2013, último dia do prazo quando se tem um orientador desde o início o curso. 

Por experiência em projetos de sistemas, planejei as folgas (nos finais de semana) e não excedi no planejamento 8 horas diárias de trabalho. Assim, poderia utilizar folgas e horas extras caso acontecesse algum problema. Não esqueça disso!

A monografia foi entregue com 78 páginas e a escrita ficou tão boa que aproveitamos grande parte para dissertação. Assim, não esqueça dessas dicas para uma escrita efetiva na área de computação:

1 - Escrevi aqui como revisar a sua monografia em 8 passos;
2 - Veja esse Tutorial sobre LaTeX;
3 - Organize suas referências e associe ao texto automaticamente com LaTeX usando JabRef
4 - Edite textos em LaTeX no Windows usando MikTex;

Por isso é importante uma boa orientação!

Feliz ano de 2015!

sábado, 4 de outubro de 2014



Parece que está se tornando comum encontrar trabalhos com uma lista de coautores cada vez maior. No entanto, o papel de coautor é estabelecido em lei e não se pode incluir nomes a torto e direito sem que tenha havido participação efetiva no trabalho. Nesse post eu tento aproximar a legalidade do direito autoral de acordo com os critérios estabelecidos na Lei 9.610

Além de infringir a Lei 9.610 que trata do direito autoral, incluir coautores para ter proveito pessoal e/ou coagir um estudante a fazê-lo são atitudes criminosas. Apesar da lei ter sido sancionada em 1998, a prática é cada vez mais comum e muitos estudantes de pós-graduação não conhecem os seus direitos autorais, por isso, podem acabar repassando sua propriedade intelectual para outras pessoas explorarem sem proteção jurídica.

De acordo com a Lei 9.610, o autor é a pessoa criadora da obra e seu nome deve aparecer em primeiro na lista de autores. Já um coautor, é aquele que contribui diretamente na criação da obra, NÃO APENAS QUEM REVISA UM TEXTO. Em muitos casos arbitrários, alguns pesquisadores apenas participam do processo final do trabalho, revisando textos, logo são indicados como coautores da obra por parceiros de pesquisa.

Do ponto de vista legal, a contribuição do coautor não deve ser limitada a revisão, atualização, bem como direção. Em suma, a propriedade intelectual de uma obra só pode incluir coautoria se há de fato PARTICIPAÇÃO EFETIVA DURANTE TODA A CRIAÇÃO DA OBRA. O que garante a proteção ao autor e evita que qualquer pessoa, por incluir comentários sobre uma obra acabada, se declare coautora e tenha os mesmos direitos de propriedade da obra.

A inclusão de coautoria incorreta, lesa o erário por inflar currículos de falsos pesquisadores. Aqueles que não corroboram com os avanços de uma comunidade e visam apenas obter vantagens pessoais, concorrer a bolsas de produtividade, editais científicos, promoções em universidades e títulos honoríficos. Aqui eu explico mais sobre o assunto.

Não é difícil encontrar na plataforma lattes currículos de coautores que se apropriam das obras dos estudantes. Casos comuns podem ser vistos na publicação de versões da obra em outros eventos e congressos sem a inclusão do estudante como autor principal, invertendo a ordem dos autores por apenas traduzir a obra para uma outra língua. 

Estudantes em geral desconhecem o seu direito de propriedade intelectual, assim, muitos orientadores os induzem à incluir amigos e parceiros como coautores por interesses pessoais, até apresentam nos currículos de pesquisas deles os prêmios e/ou honras obtidos pelos orientados como se fossem seus. O que é definitivamente execrável. Mas o comum mesmo é incluir parceiros como coautores em troca de favores.

No periódico The Journal of Systems and Software, encontrei um artigo escrito por 34 autores. Se escrever um artigo com 3 pessoas já é difícil, imagine 34... Talvez o autor tenha confundido referências com coautoria. Sem dúvida, esse trabalho deve ser investigado.

A pesquisa científica não deveria admitir a inclusão de coautores a torto e direito e a punição deveria ser severa em todos os casos em que não se comprova participação durante toda a obra. Uma visão particular que tenho é que a coautoria é nociva não só por simular um conhecimento, mas por fingir uma contribuição que muitas vezes nem mesmo é pontual.

Ao imaginar uma rede de coautoria que também revisa periódicos, posso vislumbrar a comodidade em publicar com os amigos. E o maior problema é que o conhecimento não se renova na sala de aula, já que o coautor é fajuto! Não se surpreenda por esses pesquisadores não demonstrarem conhecimento sobre o que publicam.

A competência é pragmática. É difícil disfarçá-la em teorias, porque é transparente aos olhos.

Veja mais sobre os seus direitos de autoria nos links abaixo e não aceite participar do circo de coautoria acadêmica -> DENUNCIE! 




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