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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015






Você não entendeu errado, eu escrevi uma monografia de qualificação em apenas um mês e neste post vou demonstrar de forma prática como criar um cronograma de trabalho. O sucesso da sua monografia de qualificação só depende da preparação, acompanhamento, revisão e principalmente PLANEJAMENTO.

Em todos os cursos strictu sensu é necessário apresentar uma prévia da pesquisa, o que denomina-se qualificação. A qualificação geralmente é apresentada na forma de uma monografia e arguição oral, o que avalia de fato as condições do candidato ao mestrado ou doutorado prosseguir com o projeto de pesquisa. 

Durante a arguição é conhecido o andamento das pesquisas em consonância por meio das referências utilizadas, delimitação do contexto, problema e proposta de solução, além de um estudo sobre o estado da arte dos temas relacionados com a pesquisa.

Curiosidade: Todos os estudantes quando entram num curso strictu sensu são denominados candidatos, exemplo: M.Sc. Candidate ou PhD Candidate. Após sua pesquisa ser aprovada numa banca de qualificação ele se torna M.Sc. Student ou PhD Student.

Voltando a escrita da monografia de qualificação, eu vou passar alguns passos importantes para que tenha sucesso:
  1. Saiba como escolher um bom orientador. Não se apresse em escolher qualquer um, é preciso saber se de fato ele terá alguma experiência e maturidade para orientá-lo. Aqui eu escrevi de forma bem prática alguns critérios e estilos de orientação.
  2. Faça um controle das reuniões com o seu orientador. Cada reunião registre os objetivos, problemas encontrados, recomendações que ele proferiu e sinalize os avanços obtidos.
  3. Escreva um resumo. Um resumo irá organizar a sua ideia encadeando de forma lógica e clara o contexto, motivação, problema, objetivos e solução. Aqui eu escrevi e analisei uma heurística que irá ajudar na elaboração do seu resumo.
  4. Faça uma revisão sistemática. Uma revisão sistemática é um método bastante utilizado pela área de engenharia de software. Define os passos necessários para elencar o estado da arte sobre tópicos de pesquisa por meio de um experimento.
Agora que já tem a proposta do seu projeto validada com seu orientador e o relatório contento o estado da arte dos tópicos da sua pesquisa, defina a estrutura da monografia de qualificação. Escreva um documento contendo:
  •  Introdução (contextualização, motivação, objetivos e organização);
  • Visão geral do tópico de pesquisa, onde terá que apresentar o conhecimento básico sobre uma determinada área de pesquisa, subárea até chegar ao tópico pesquisado. Faça isso de forma suave e com uma boa transição de conteúdo;
  • Apresente agora um aprofundamento do tópico da pesquisa, por meio da revisão sistemática que foi feita antes. Comece por escrever as considerações iniciais, conceitos básicos, em seguida discorra sobre o tópico pesquisado, discutindo os pontos importantes delimitados no contexto da sua pesquisa e motivação do trabalho. Finalize a seção com as considerações finais;
  • Se houver outro tópico, repita a mesma estrutura. Isso também vale se a pesquisa tiver abrangência de duas área de pesquisa, exemplo Processamento de Imagens e Arquitetura de Software. Como foi o meu caso.
  • Por fim, escreva o seu plano de trabalho. Comece também pelas considerações iniciais, relembre os objetivos, demonstre claramente a metodologia que irá utilizar na condução da sua pesquisa, as atividades principais, seu cronograma de trabalho e os resultados esperados;
  • Não esqueça de colocar as referência encontradas durante a revisão sistemática;
Planeje um cronograma de trabalho para escrita de cada seção e subseção com uma medida de esforço necessária por dia, neste caso, páginas. Esse é o segredo para medir se você vai conseguir terminar a monografia de qualificação no prazo!

Eu escrevi a monografia de qualificação em um mês, porque antes de começar o trabalho, conversei com meu orientador. Aliás, excelente orientador! Ele aceitou o desafio de me orientar poucos meses antes da qualificação. Eu segui todos esses passos, planejando cada uma dessas atividades antes da escrita, por isso sabia exatamente quanto tinha que escrever por dia. Também, estruturei todas as informações de escrita e referências em subpastas da mesma forma que a estrutura a ser escrita, assim não perdia tempo procurando referências. 


Para organizar o conhecimento necessário para executar as atividades de escrita da qualificação utilizei um mapa mental. Aqui eu demonstro um exemplo.

Acredito que apenas ao ler esse post você não irá de imediato obter todo o conhecimento necessário sobre escrita científica, mas poderá utilizá-lo como ponto inicial do seu projeto. Inclusive saber avaliar a maturidade do seu orientador e acompanhar toda a sua pesquisa.

Durante o mestrado eu fiz um plano de todo curso, desde os estudos de disciplinas, escrita da monografia de qualificação e repeti todo o processo para a escrita da dissertação. Se você não acredita que escrevi uma monografia de qualificação sobre um tema diferente (porque troquei de orientador), veja o cronograma abaixo e perceba como o PLANEJAMENTO faz toda a diferença.

 
Ah! Você vai ver na figura que o planejado foram 45 dias e não um mês. Fiquei sabendo que tinha que entregar a monografia de qualificação 15 dias antes para defender no dia 31/05/2013, último dia do prazo quando se tem um orientador desde o início o curso. 

Por experiência em projetos de sistemas, planejei as folgas (nos finais de semana) e não excedi no planejamento 8 horas diárias de trabalho. Assim, poderia utilizar folgas e horas extras caso acontecesse algum problema. Não esqueça disso!

A monografia foi entregue com 78 páginas e a escrita ficou tão boa que aproveitamos grande parte para dissertação. Assim, não esqueça dessas dicas para uma escrita efetiva na área de computação:

1 - Escrevi aqui como revisar a sua monografia em 8 passos;
2 - Veja esse Tutorial sobre LaTeX;
3 - Organize suas referências e associe ao texto automaticamente com LaTeX usando JabRef; 
4 - Edite textos em LaTeX no Windows usando MikTex;

Por isso é importante uma boa orientação!

Feliz ano de 2015!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014


Pelo menos para mim e grande parte da comunidade científica, uma publicação completa precisa apresentar um estudo concluído com um experimento ou estudo de caso que comprove a tese do trabalho. Já um position paper ou artigo curto, é publicado para demonstrar um estudo em inicial, por isso tem entre 1 e 3 páginas. Outra forma de apresentar um estudo em andamento, submetido exclusivamente para eventos científicos, é através de um pôster avaliado por meio de um artigo resumido.

Em termos de avaliação da pesquisa científica, desde a seleção de cursos de pós-graduação até a atribuição de bolsas de produtividade, toda a carreira de um pesquisador é baseada em suas publicações. Nesse sentido, as universidades e agências atribuem maior pontuação para publicações de artigos completos, uma vez que trata-se de uma pesquisa comprovada por meio de um experimento ou estudo de caso, o que demanda anos de pesquisa.

Surpreendentemente, estava realizando uma revisão sistemática e encontrei alguns resumos de um dos eventos internacionais mais qualificados da área de engenharia de software, o International Computer and Software Engineering (ICSE). Os artigos completos publicados nesse evento são considerados QUALIS A1, são os melhores do mundo na área de engenharia de software. O artigo é avaliado por um comitê altamente qualificado e exige muito rigor dos revisores para comprovação dos resultados obtidos no trabalho, investigação do estado da arte da pesquisa e comparações com outros trabalhos. Por isso uma pesquisa completa demora anos, muito diferente de um artigo curto que podemos escrever em poucas semanas.

Voltando a surpresa, queria saber se os autores continuaram as pesquisas apresentadas em seus resumos, então procurei os lattes deles e notei que os resumos foram declarados ao CNPQ como artigos completos. Se a publicação está completamente relacionada com o desempenho do pesquisador, desde o seu início de carreira quando participa de seleções em programas de pós-graduação, depois quando docente para a obtenção de recursos em projetos e concorrer em bolsas de produtividade, não seria uma trapaça com os outros estudantes e pesquisadores? Além disso, a CAPES realiza uma avaliação trienal, atribuindo maior nota nos artigos completos e publicados com QUALIS A1.

Portanto, essa constatação é muito grave para Sociedade Brasileira de Computação. Estudantes, pesquisadores e programas podem ter sido prejudicados com a perda de recursos. Ao analisar alguns artigos, percebi a existência de 80 resumos declarados como artigos completos. É muita coisa!

Segundo Conselho de Ética e Pesquisa (CONEP), é também um caso de desvio de conduta sério. Diversas bolsas de pesquisa e investimentos em infraestrutura poderiam ser alocados para outros programas de pós-graduação, universidades e estudantes. Infelizmente, pesquisadores que disputaram bolsa de produtividade em pesquisa podem ter perdido várias oportunidades para esses pesquisadores. Eu perdi uma bolsa de pesquisa!

Enquanto a sociedade clama por ética e combate à corrupção, em menos de 10 minutos, detectei diversas fraudes em currículos de pesquisadores. Uma fraude desse tipo tem o objetivo claro de obter vantagens seja para o estudante, pesquisador, coautores, grupo de pesquisa, programa de pós-graduação e universidade. É muito triste saber que pesquisadores renomados ao invés de melhorarem de fato a qualidade da pós-graduação do país, criaram um artifício para demonstrar uma qualidade artificial.

Toda a comunidade de computação deveria repudiar essa prática e o ministério público entrar com um processo para reparação dos prejuízos causados à sociedade. Conheço diversos pesquisadores do nordeste, além do interior de São Paulo e Minas, que lutam para obter recursos. Há universidades que não possuem nem mesmo uma estrutura adequada de pesquisa.

Apenas esses 80 artigos, distribuídos entre um grupo de 20 e poucos, conseguem dar uma enorme vantagem ao pesquisadores numa avaliação entre pares competindo para obtenção de bolsas e projetos, porque nenhuma agência verifica artigos. Todos os 80 tem sempre o mesmo co-autor. Por isso, poderia até achar que é um esquema bem montado, se não houvesse internet. Pesquisei os eventos e estão descritos claramente que foram aceitos como pôster e resumos. Existem artigos também que simulam pesquisas, adicionando referências às idéias alheias.

Uma coisa é preciso reconhecer, são excelentes escritores de ficção e sabem administrar sua produção como poucos. Todos da base da pirâmide colocam os nomes dos orientadores e dos ex-orientadores deles, mesmo que não tenham qualquer projeto juntos. Elevam um por um do grupo através dos anos, até que este ganhe notoriedade e possa criar muitas parcerias de pesquisa. Então ele abastece a pirâmide com novos orientandos até de outros programas, citando o pesquisador parceiro e o mais antigo. Gerando novas pirâmides, sempre citando quem está no topo, assim todos eles mantém suas bolsas de produtividade. 

É muito difícil e dispendioso realizar uma pesquisa para publicar em eventos A1. Enquanto um pesquisador ético trabalha junto com um aluno de doutorado por 4 anos e a CAPES paga uma bolsa de R$2.200, ou seja, o mínimo de R$105.600, esse grupo converte seus resumos em uma pesquisa completa sem apresentar qualquer resultado ou avanço para a sociedade. Imagine quanto se gasta para pagar os custos dessas viagens em detrimento de outros pesquisadores que não conseguem publicar suas pesquisas completas por conta da ausência de recursos nas suas universidades?

Essa triste constatação é uma vergonha para a pesquisa científica no Brasil, especialmente por saber que se trata de um dos maiores grupos na área de engenharia de software. Estou completamente decepcionado por algum dia ter mencionado esses pesquisadores e seus estudos em minhas referências.  

Pior é saber que esses são apenas exemplos dessa fraude praticada por muitos outros pesquisadores. A Sociedade Brasileira de Computação e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência precisa fazer alguma coisa. Quem sabe automatizar os passos para comprovar que artigos declarados completos realmente possuem uma pesquisa completa para evitar outras fraudes como essas?

Repúdio.

Nature diz que produção científica brasileira é lixo acadêmico

sábado, 4 de outubro de 2014



Parece que está se tornando comum encontrar trabalhos com uma lista de coautores cada vez maior. No entanto, o papel de coautor é estabelecido em lei e não se pode incluir nomes a torto e direito sem que tenha havido participação efetiva no trabalho. Nesse post eu tento aproximar a legalidade do direito autoral de acordo com os critérios estabelecidos na Lei 9.610. 

Além de infringir a Lei 9.610 que trata do direito autoral, incluir coautores para ter proveito pessoal e/ou coagir um estudante a fazê-lo são atitudes criminosas. Apesar da lei ter sido sancionada em 1998, a prática é cada vez mais comum e muitos estudantes de pós-graduação não conhecem os seus direitos autorais, por isso, podem acabar repassando sua propriedade intelectual para outras pessoas explorarem sem proteção jurídica.

De acordo com a Lei 9.610, o autor é a pessoa criadora da obra e seu nome deve aparecer em primeiro na lista de autores. Já um coautor, é aquele que contribui diretamente na criação da obra, NÃO APENAS QUEM REVISA UM TEXTO. Em muitos casos arbitrários, alguns pesquisadores apenas participam do processo final do trabalho, revisando textos, logo são indicados como coautores da obra por parceiros de pesquisa.

Do ponto de vista legal, a contribuição do coautor não deve ser limitada a revisão, atualização, bem como direção. Em suma, a propriedade intelectual de uma obra só pode incluir coautoria se há de fato PARTICIPAÇÃO EFETIVA DURANTE TODA A CRIAÇÃO DA OBRA. O que garante a proteção ao autor e evita que qualquer pessoa, por incluir comentários sobre uma obra acabada, se declare coautora e tenha os mesmos direitos de propriedade da obra.

A inclusão de coautoria incorreta, lesa o erário por inflar currículos de falsos pesquisadores. Aqueles que não corroboram com os avanços de uma comunidade e visam apenas obter vantagens pessoais, concorrer a bolsas de produtividade, editais científicos, promoções em universidades e títulos honoríficos. Aqui eu explico mais sobre o assunto.

Não é difícil encontrar na plataforma lattes currículos de coautores que se apropriam das obras dos estudantes. Casos comuns podem ser vistos na publicação de versões da obra em outros eventos e congressos sem a inclusão do estudante como autor principal, invertendo a ordem dos autores por apenas traduzir a obra para uma outra língua. 

Estudantes em geral desconhecem o seu direito de propriedade intelectual, assim, muitos orientadores os induzem à incluir amigos e parceiros como coautores por interesses pessoais, até apresentam nos currículos de pesquisas deles os prêmios e/ou honras obtidos pelos orientados como se fossem seus. O que é definitivamente execrável. Mas o comum mesmo é incluir parceiros como coautores em troca de favores.

No periódico The Journal of Systems and Software, encontrei um artigo escrito por 34 autores. Se escrever um artigo com 3 pessoas já é difícil, imagine 34... Talvez o autor tenha confundido referências com coautoria. Sem dúvida, esse trabalho deve ser investigado.

A pesquisa científica não deveria admitir a inclusão de coautores a torto e direito e a punição deveria ser severa em todos os casos em que não se comprova participação durante toda a obra. Uma visão particular que tenho é que a coautoria é nociva não só por simular um conhecimento, mas por fingir uma contribuição que muitas vezes nem mesmo é pontual.

Ao imaginar uma rede de coautoria que também revisa periódicos, posso vislumbrar a comodidade em publicar com os amigos. E o maior problema é que o conhecimento não se renova na sala de aula, já que o coautor é fajuto! Não se surpreenda por esses pesquisadores não demonstrarem conhecimento sobre o que publicam.

A competência é pragmática. É difícil disfarçá-la em teorias, porque é transparente aos olhos.

Veja mais sobre os seus direitos de autoria nos links abaixo e não aceite participar do circo de coautoria acadêmica -> DENUNCIE! 




domingo, 27 de julho de 2014



1 - Primeiro leia o resumo ou abstract. Procure entender o contexto, problema e solução apresentada no trabalho.

2 - Leia as tabelas e figuras. Atente-se ao dados apresentados e relacione-os com o que entendeu na leitura do resumo. Com essas informações deve ser possível ter algumas conclusões sobre o estudo. Nesse sentido, as tabelas e figuras devem ser autoexplicativas e não podem conter erros de fórmulas, escrita, etc..., principalmente repetir informações.

3 - Agora tente ler o trabalho por completo sob sua perspectiva. Verifique se as conclusões estão de acordo com os dados apresentados nas tabelas e figuras. Avalie também se o texto está claro [se consegue ler com dificuldades por haver muitas pausas, erros gramaticais e palavras repetidas]. É importante que o estudo não seja muito longo.

O mais importante quando se revisa um trabalho é notar informação válida, já que é por isso que as pessoas buscam nos estudos. Achar que escrever uma tese com centenas de páginas pode ser um motivo a mais para se vangloriar com os amigos, no entanto, de nada serve um texto que não informa, que não traz valor a quem lê.

4 - Agora leia o resumo ou abstract de maneira detalhada. Depois que leu todo o artigo pela primeira vez, verifique se o resumo é sucinto. Se ele segue uma estrutura de informação, apresentando o contexto, o problema, a questão ou hipótese da pesquisa, método utilizado e os resultados alcançados. Procurar informações sem valor, principalmente, se há afirmações sobre algo que não foi testado ou não está diretamente relacionado com a hipótese do estudo. Por último, identifique se o estudo está realmente criando algo novo que outros já não fizeram.


5 - Leia os métodos utilizados no estudo. Veja se o método apresenta uma direção clara para responder as questões da pesquisa de forma objetiva. Avalie como o método foi utilizado no estudo comparando-o com estudos clássicos anteriores citados na referência.

Se não há citação de estudos clássicos que abordam o método utilizado no estudo ou através de um estudo citado é sinal que pode não ter havido uma boa revisão sistemática. Sobre isso, vou publicar um artigo demonstrando como fazê-la em breve em conjunto com outros pesquisadores e postarei aqui.

6 - Leia os resultados com muito critério. Essa é a seção mais importante! Verifique EM PRIMEIRA INSTÂNCIA se os autores foram éticos na condução da pesquisa ou se você mostra essa desconfiança a quem lê o seu trabalho. 

Outra coisa importante é identificar se há um protocolo ou processo objetivo e claro para analisar os dados. Se o protocolo ou processo não foi mencionado nas outras seções, pode ser um indicativo que houve falhas na condução do estudo e que pode ser tendencioso a apresentar resultados positivos. Fique atento!

Compare os resultados com as tabelas e figuras, analise se a seção possui INFORMAÇÃO correspondente aos dados apresentados no estudo. Veja se os autores destacaram INFORMAÇÕES importantes contidos nas tabelas e figuras e NÃO APENAS REPETIU OS DADOS. Verifique por último se os resultados estão relacionados com cada passo do protocolo apresentado no método da pesquisa.

Infelizmente, há muita ocorrência de plágio e manipulações nos resultados. No final deste post é possível ver alguns artigos relacionados a essa má conduta que pode banir o pesquisador da comunidade científica, ser demitido e acabar definitivamente com a sua carreira.

7 - Agora analise com detalhes as tabelas e figuras apresentadas no estudo e veja se as fórmulas estão adequadas ao método e protocolo da pesquisa, bem como se os cálculos estão corretos. Verifique se há evidência de omissão ou inconsistência de dados entre as tabelas ou figuras. Também se as figuras possuem boa qualidade e as colunas estão identificadas no texto. Verifique se os erros encontrados estão transcritos em outras partes do texto.

8 - Leia a seção de discussão e veja se o primeiro parágrafo está sucinto e claro com o que você viu no texto e não apresenta uma nova informação. Perceba se as conclusões estão justificadas e se é possível distinguir se é baseada em hipóteses ou apresenta comprovação no estudo. Não esqueça de verificar se o texto está estruturado e bem escrito, ou seja, informa e segue as normas de escrita [ABNT, IEEE, ACM, SBC]. 

Outra coisa importante é identificar se o estudo promove realmente aquilo que está descrito no resumo e na conclusão em comparação aos estudos anteriores. Portanto, verifique se as referências utilizadas para comparação são atuais e clássicas da área do estudo. 

Não esqueça de verificar se é possível cortar partes do texto que não informam e se existem limitações no estudo que outros já pesquisaram antes, o que enseja mais uma vez que o trabalho não fez uma boa revisão sistemática.

sábado, 17 de maio de 2014

Há um bom tempo propus discutir a relação entre a desigualdade social e os procedimentos QUALIS-CAPES. Muitas pessoas achavam que era uma relação sem sentido, mas um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) demonstrou que pode ser possível que as desigualdades regionais estejam aumentando por causa disso.

Comecei a pensar sobre as consequências para o desenvolvimento econômico e social, percebi algo muito pior, a crescente falta de escrúpulo na condução de pesquisas científicas. Tal ação está fazendo o Brasil passar vexame em rankings científicos internacionais, mídias especializadas como o Retraction Watch e perder bilhões que poderiam ser aplicados em universidades que necessitam de recursos.

Durante 3 anos comecei a mapear artigos de algumas linhas de pesquisa, detectei como um padrão três ações principais: (i) professores se apropriando de trabalhos de alunos, (ii) criação de uma rede de publicação em revistas e congressos internacionais e (iii) diversos plágios de artigos e esquemas para aumentar as citações de grupos.

Vários alunos relataram em listas e blogs que seus trabalhos estavam sendo “furtados” pelos ex-orientadores. Eles terminam os cursos e os professores publicam artigos sobre os seus trabalhos, incluindo colegas como co-autores que em nada contribuíram no trabalho do aluno. Sobre isso, a lei de direitos autorais é clara: o estudante é sempre o autor principal do trabalho, a ele é reservado o direito de ter o nome incluído em todas as publicações!

A co-autoria também é um artifício utilizado para aprovação automática de artigos em conferências e revistas, tornando-se outro ato comum entre as más condutas na pesquisa científica. Percebi uma rede com a colaboração de editores e pesquisadores. Os editores são incluídos como co-autores para que a publicação seja aceita em revistas e os pesquisadores que possuem status em determinada linha para facilitar a aceitação de artigos em eventos científicos. Sobre essa prática, estudantes são induzidos a participar de esquemas de co-autoria, e pela falta de divulgação de boas práticas nas pesquisas científicas, acredito que eles nem sabem o que fazem. Entretanto, como autores principais do trabalho, infelizmente tem maiores chances de serem responsabilizados.

A terceira prática mais comum é o plágio, mas há um novo tipo de plágio que não é amplamente divulgado pela mídia científica: o plágio de trabalhos do próprio grupo. Pesquisando artigos de linhas de pesquisa detectei alunos plagiando trabalhos uns dos outros, com cópias de textos e aumentando o número de citações dos trabalhos do grupo em que atuam. Em uma linha, uma comunidade inteira repete essa ação e tenta despistar co-autorias em trabalhos. Ora um é autor, ora é outro colega, formando pequenos grupos. Todas essas práticas são nocivas para a formação do estudante e não contribui para o desenvolvimento da linha de pesquisa. Os estudantes estão enganando a si mesmo, o programa e todo o país. 

Engana a si mesmo porque a formação de um verdadeiro cientista inclui o trabalho ético na condução de uma pesquisa. O cientista deve propor avanços na sua linha de pesquisa e tais avanços podem ser comprovados através das citações do seu trabalho. Organizar grupos de colegas para aumentar a citação de trabalhos é uma fraude, o custo de uma pesquisa no Brasil não é baixo. O dinheiro investido nesse tipo de crime poderia alimentar muitas bocas famintas nas regiões mais pobres do país. 

Engana o programa porque muitos outros pesquisadores conduzem as suas pesquisas com correção e serão todos vistos como corruptos. Uma vez que membros do mesmo programa já praticam más condutas com tanta liberdade, pois falam abertamente e escrevem e-mails sem qualquer preocupação, logo isso sairá na mídia. As universidades deveriam punir com rigor, aplicando sanções internas exemplares para evitar que um pesquisador manche a reputação da instituição. Também, trabalhos publicados e citados por esses esquemas não representam a verdadeira qualidade do programa, é possível perceber estudantes que mal sabem escrever um artigo e como estão despreparados para conduzir uma pesquisa científica após o doutorado. 

Engana o país porque poucos pesquisadores são favorecidos em detrimento de bilhões que são gastos nesses esquemas. Mas o pior está por vir. Por não contribuir na verdadeira formação de cientistas, por não propor inovações verdadeiras que mereçam de fato serem publicadas e inflar a publicação de programas de pós-graduação em que atuam, o dano é muito maior para o desenvolvimento econômico e social do país, pois más condutas estão contribuindo para o aumento das desigualdades regionais.

Embora não existam estudos, é possível imaginar o que todas essas trapaças possam causar. A qualidade na formação de recursos humanos, inovação e fator de impacto das publicações são variáveis contudentes, como consequência, podemos associar também esses dados a queda de algumas universidades brasileiras em rankings internacionais.

Dos muitos males que a falta de escrúpulo possa causar no desenvolvimento econômico e social do país é certo que os bilhões gastos nessas pesquisas poderiam ser investidos em pesquisas que realmente poderiam propor avanços. Os programas de pós-graduação foram expandidos e matricularam muito mais estudantes nesta década como nunca se viu no país. Enquanto isso, muito do que poderia ser aplicado em inovação está sendo utilizado em benefício próprio de pequenos grupos. É preciso analisar cada área de conhecimento, cada grupo de pesquisa e retirar essas pragas antes que estraguem um campo inteiro da ciência no país.

A metodologia que utilizei para fazer esse estudo, que será publicado futuramente, envolveu a investigação de redes de colaboração em diversas linhas de pesquisa. Desde os alunos de graduação até doutorado de alguns pesquisadores das maiores universidades do país. Os trabalhos dos alunos estão nas bibliotecas institucionais, os artigos, as participações em bancas e todas as informações de orientação na plataforma lattes.

sexta-feira, 16 de maio de 2014




  Ética nas Pesquisas Científicas

A civilidade baseia-se, principalmente, na harmonia das relações humanas. A partir de um conjunto de regras de conduta, prega-se o respeito mútuo. Na pesquisa científica é comum ver os relatos de falta de ética ou integridade entre colegas. Seja por competição, ambição pessoal ou aumento da produtividade com ausência de princípios, a FAPESP, o CNPQ e a USP são exemplos de instituições que estão combatendo más condutas com punições que ferem diretamente a reputação, até outras sanções mais severas.

A expressão “integridade da pesquisa” (research integrity) vem sendo utilizada para demarcar um campo particular no interior da ética profissional do cientista, entendida como a esfera total dos deveres éticos a que o cientista está submetido ao realizar suas atividades científicas. No interior dessa esfera existe um conjunto de valores éticos com o respeito à integridade física, psicológica e moral dos seres humanos. A ética profissional do cientista inclui portanto um conjunto de valores éticos, isto é, valores que se impõem ao cientista em virtude de seu compromisso com a própria finalidade de sua profissão: a construção coletiva da ciência como um patrimônio coletivo.

O princípio desse campo particular da ética profissional é: ao exercer suas atividades científicas, um pesquisador deve sempre visar a contribuir para a construção coletiva da ciência como um patrimônio coletivo, deve abster-se de agir, intencionalmente ou por negligência, de modo a impedir ou prejudicar o trabalho coletivo de construção da ciência e a apropriação coletiva de seus resultados. É a essa parte da ética profissional do cientista que remete a expressão “integridade da pesquisa”.

Por conta do crescimento significativo do número de projetos e de pesquisadores apoiados pela instituição nos últimos anos, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) acaba de lançar o seu Código de Boas Práticas Científicas, com o objetivo reforçar, na comunidade científica paulista uma cultura sólida e bem arraigada de integridade ética da pesquisa mediante um conjunto de estratégias baseadas em três pilares: educação e prevenção; além de investigação e sanção justas e rigorosas.

O código estabelece diretrizes éticas para as atividades científicas dos pesquisadores beneficiários de auxílios e bolsas da FAPESP e para o exercício da função de avaliador científico pelos assessores da FAPESP. É também aplicável às instituições e organizações de qualquer natureza, públicas ou privadas, que se apresentem perante a FAPESP como sedes de atividades científicas (aqui chamadas genericamente de instituições de pesquisa) e aos periódicos científicos apoiados pela FAPESP.

A partir do código de ética da FAPESP, é possível citar alguns princípios:

3.1. Nenhum pesquisador deve facilitar, por ação ou omissão, a ocorrência ou o ocultamento da ocorrência de más condutas científicas. Em caso de dúvida, o pesquisador deve aconselhar-se com o órgão competente de sua instituição de pesquisa ou com a FAPESP.

3.2. Todo pesquisador deve colaborar com a investigação de possíveis casos de má conduta científica conduzida por instituições de pesquisa ou pela FAPESP.

3.3. Nenhum pesquisador deve praticar ou facilitar, por ação ou omissão, qualquer ato que possa ser razoavelmente percebido como retaliatório em relação a quem informe, de boa fé, uma instituição de pesquisa ou a FAPESP acerca da ocorrência de possíveis más condutas científicas ou colabore com sua investigação.

3.4. É considerado ser má conduta científica prestar, de má fé ou por negligência, falsa informação sobre a ocorrência de possíveis más condutas científicas.

Em um âmbito mais geral, as instituições de pesquisa compartilham com os pesquisadores individuais a responsabilidade pela preservação da integridade ética da pesquisa científica. Elas são as responsáveis principais pela promoção de uma cultura de boa conduta científica entre os pesquisadores e estudantes a ela vinculados, assim como pela prevenção, investigação e punição de más condutas científicas que ocorram em seu âmbito.

É nesse sentido que a USP (Universidade de São Paulo) instituiu um regimento próprio para tratar questões éticas que envolvam também as relações humanas:

Artigo 1º - O presente Código de Ética destina-se a nortear as relações humanas no âmbito da Universidade de São Paulo, tendo como postulados o direito à pesquisa, o pluralismo, a tolerância, a autonomia em relação aos poderes políticos, o respeito à integridade acadêmica da instituição, bem como o dever de promover os princípios de liberdade, justiça, dignidade humana, solidariedade e a defesa da USP como Universidade pública.


Artigo 4º - Nas relações entre os membros da Universidade deve ser garantido:
I. o intercâmbio de idéias e opiniões, sem preconceitos ou discriminações entre as partes envolvidas;
II. o direito à liberdade de expressão dentro de normas de civilidade e sem quaisquer formas de desrespeito.

Artigo 5º - É dever dos membros da Universidade:
I. observar as normas deste Código e os postulados éticos da Instituição, visando manter e preservar o funcionamento de suas estruturas, o respeito, os bons costumes e preceitos morais e a valorização do nome e da imagem da Universidade;
II. defender e promover medidas em favor do ensino público, em todos os seus níveis, e do desenvolvimento da ciência, das artes e da cultura, bem como contribuir para a dignidade, o bem-estar do ser humano e o progresso social;
III. propor e defender medidas em favor do bem-estar de seus membros e de seu aperfeiçoamento e atualização;
IV. prestar colaboração ao Estado e à sociedade no esclarecimento e na busca e encaminhamento de soluções em questões relacionadas com o bem-estar do ser humano e com o desenvolvimento cultural, social e econômico;
V. incentivar o respeito à verdade.

Artigo 6º - Constitui dever funcional e acadêmico dos membros da Universidade:
I. agir de forma compatível com a moralidade e a integridade acadêmica;
III. prevenir e corrigir atos e procedimentos incompatíveis com as normas deste código e demais princípios éticos da Instituição, comunicando-os à Comissão de Ética (artigo 40);
IV. corrigir erros, omissões, desvios ou abusos na prestação das atividades voltadas às finalidades da Universidade;

Artigo 7º - Os membros da Universidade devem abster-se de:
I. valer-se de sua posição funcional ou acadêmica para obter vantagens pessoais e para patrocinar interesses estranhos às atividades acadêmicas;
III. fazer uso de mandato representativo de categoria para auferir benefícios próprios ou para exercer atos que prejudiquem os interesses da Universidade;
IV. divulgar informações de maneira sensacionalista, promocional ou inverídica;
 
TÍTULO II
Dos Servidores da Universidade

Artigo 8º - As relações entre os servidores devem ser pautadas pelo respeito recíproco, espírito de colaboração e solidariedade e reconhecimento da igual responsabilidade perante a Universidade.

Artigo 9º - A posição hierárquica ocupada por servidores docentes ou não docentes não poderá ser utilizada para:
I. desrespeitar ou discriminar subordinados;
II. criar situações embaraçosas ou desencadear qualquer tipo de perseguição ou atentado à dignidade da pessoa humana;
V. constranger subordinados a desobedecer ou contrariar os princípios estabelecidos neste Código.

Artigo 10 - O servidor docente ou não docente em posição de direção ou chefia deve:
I. zelar para que seus subordinados atuem dentro dos princípios éticos previstos neste Código;
III. promover a apuração de atos de improbidade e de ilícitos administrativos.

Artigo 11 - O servidor deve evitar qualquer conflito entre os seus interesses pessoais e os interesses da Universidade, especialmente em situações nas quais haja:
I. conflito de interesses na alocação de tempo e esforços em atividades não universitárias;
II. conflito de interesses entre a universidade e instituições públicas e privadas;
III. relacionamento pessoal ou profissional do servidor com instituições fornecedoras da Universidade.

Artigo 12 - Nenhum servidor docente ou não docente deve participar de decisões que envolvam a seleção, contratação, promoção ou rescisão de contrato, pela Universidade, de membro de sua família ou de pessoa com quem tenha relações que comprometam julgamento isento.


TÍTULO III
Dos Servidores Docentes
Artigo 15 - Cabe ao docente:
IV. empenhar-se na defesa da dignidade da profissão docente e de condições de trabalho e remuneração compatíveis com o exercício e aprimoramento da profissão;

Artigo 16 - Deve, ainda, o docente:
II. adequar sua forma de ensino às condições do aluno e aos objetivos do curso, de forma a atingir o nível desejado de qualidade;
III. apontar, a quem de direito, itens de regulamento ou normas que possam ser prejudiciais à formação acadêmica e ao desenvolvimento pessoal do aluno;
IV. exercer o ensino e a avaliação do aluno sem interferência de divergências pessoais ou ideológicas;
VI. respeitar as atividades associativas dos alunos.

TÍTULO V
Do Corpo Discente e dos demais alunos da Universidade

Artigo 21 - As relações entre os membros do corpo discente e demais alunos da Universidade devem ser presididas pelo respeito à autonomia e à dignidade do ser humano, não sendo tolerados atos ou manifestações de prepotência ou violência ou que ponham em risco a integridade física e moral de outros.

TÍTULO VI
Disposições Específicas
CAPÍTULO II
Da Pesquisa
Artigo 27 - No desenvolvimento de atividades de pesquisa, o docente deve assegurar-se de que:
VII. tratando-se de pesquisa envolvendo pessoas, individuais ou coletivas, são respeitados os princípios estabelecidos nas declarações e convenções sobre Direitos Humanos, na Constituição Federal e na legislação específica;
 
CAPÍTULO III
Das Publicações
Artigo 28 - É vedado aos membros da Universidade:
II. nas suas publicações, não dar crédito a colaboradores e outros que tenham contribuído para obtenção dos resultados nelas contidos;
III. utilizar, sem referência ao autor ou sem a sua autorização expressa, informações, opiniões ou dados ainda não publicados;

CAPÍTULO V
Registros de Dados e Informática
Artigo 33 - A coleta, a inserção e a conservação, em fichário ou registro, informatizado ou não, de dados pessoais relativos a opiniões políticas, filosóficas ou religiosas, origem, conduta sexual e filiação sindical ou partidária devem estar sob a égide da voluntariedade, da privacidade e da confidencialidade, podendo ser utilizados para os fins propostos para sua coleta.
§ 1º - É proibido usar os dados a que se refere o caput para discriminar ou estigmatizar o indivíduo, cuja dignidade humana deve ser sempre respeitada.
§ 2º - No caso de dados para fins de pesquisa, deve ser obedecido o disposto na Resolução 196-96 do Conselho Nacional de Saúde, atinente à ética na pesquisa envolvendo seres humanos.

Artigo 38 - No que concerne ao uso dos sistemas de computação compartilhados, é vedado aos membros da Universidade:
III. degradar o desempenho do sistema ou interferir no trabalho dos demais usuários;
V. fazer uso de meio eletrônico para enviar mensagens ou sediar páginas ofensivas, preconceituosas ou caluniosas.
TÍTULO VII
Disposições Finais
Artigo 39 - A Universidade criará uma Comissão de Ética com as atribuições de:
I. conhecer das consultas, denúncias e representações formuladas contra membros da Universidade, por infringência às normas deste Código e postulados éticos da Instituição;
II. apurar a ocorrência das infrações;
III. encaminhar suas conclusões às autoridades competentes para as providências cabíveis;
IV. criar um acervo de decisões do qual se extraiam princípios norteadores das atividades da Universidade, complementares a este Código.

Artigo 41 - A Ouvidoria da Universidade e a Comissão de Ética atuarão de forma coordenada para assegurar a plena observância das normas e princípios previstos neste Código.

A ética na pesquisa não é dada somente no conhecimento para conduzir uma pesquisa com correção, está inserida por todo o contexto que envolve o trabalho com o ser humano. Quando um pesquisador é desleal, não só demonstra falta de caráter, mas que os fins justificam os meios e nem toda a educação que teve desde a graduação até o doutorado conseguiu mudar isso. Linhas no lattes não são a causa da falta de caráter, a ausência de princípios, muitas vezes, vem de nascença. Mesmo que se procure encontrar formas equivocadas para justificar a reversão de princípios, em prol das suas ambições pessoais ou coletivas, nada justifica os meios. 

Referências:


  1. Sobre a Integridade Ética da Pesquisa (FAPESP)
  2. Código de Boas Práticas Científicas (FAPESP)
  3. Ética e Integridade na Prática Científica (CNPQ)
  4. Código de Ética da USP
  5. Comissão de Integridade na Atividade Científica (CNPQ)

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