domingo, 27 de julho de 2014



1 - Primeiro leia o resumo ou abstract. Procure entender o contexto, problema e solução apresentada no trabalho.

2 - Leia as tabelas e figuras. Atente-se ao dados apresentados e relacione-os com o que entendeu na leitura do resumo. Com essas informações deve ser possível ter algumas conclusões sobre o estudo. Nesse sentido, as tabelas e figuras devem ser autoexplicativas e não podem conter erros de fórmulas, escrita, etc..., principalmente repetir informações.

3 - Agora tente ler o trabalho por completo sob sua perspectiva. Verifique se as conclusões estão de acordo com os dados apresentados nas tabelas e figuras. Avalie também se o texto está claro [se consegue ler com dificuldades por haver muitas pausas, erros gramaticais e palavras repetidas]. É importante que o estudo não seja muito longo.

O mais importante quando se revisa um trabalho é notar informação válida, já que é por isso que as pessoas buscam nos estudos. Achar que escrever uma tese com centenas de páginas pode ser um motivo a mais para se vangloriar com os amigos, no entanto, de nada serve um texto que não informa, que não traz valor a quem lê.

4 - Agora leia o resumo ou abstract de maneira detalhada. Depois que leu todo o artigo pela primeira vez, verifique se o resumo é sucinto. Se ele segue uma estrutura de informação, apresentando o contexto, o problema, a questão ou hipótese da pesquisa, método utilizado e os resultados alcançados. Procurar informações sem valor, principalmente, se há afirmações sobre algo que não foi testado ou não está diretamente relacionado com a hipótese do estudo. Por último, identifique se o estudo está realmente criando algo novo que outros já não fizeram.


5 - Leia os métodos utilizados no estudo. Veja se o método apresenta uma direção clara para responder as questões da pesquisa de forma objetiva. Avalie como o método foi utilizado no estudo comparando-o com estudos clássicos anteriores citados na referência.

Se não há citação de estudos clássicos que abordam o método utilizado no estudo ou através de um estudo citado é sinal que pode não ter havido uma boa revisão sistemática. Sobre isso, vou publicar um artigo demonstrando como fazê-la em breve em conjunto com outros pesquisadores e postarei aqui.

6 - Leia os resultados com muito critério. Essa é a seção mais importante! Verifique EM PRIMEIRA INSTÂNCIA se os autores foram éticos na condução da pesquisa ou se você mostra essa desconfiança a quem lê o seu trabalho. 

Outra coisa importante é identificar se há um protocolo ou processo objetivo e claro para analisar os dados. Se o protocolo ou processo não foi mencionado nas outras seções, pode ser um indicativo que houve falhas na condução do estudo e que pode ser tendencioso a apresentar resultados positivos. Fique atento!

Compare os resultados com as tabelas e figuras, analise se a seção possui INFORMAÇÃO correspondente aos dados apresentados no estudo. Veja se os autores destacaram INFORMAÇÕES importantes contidos nas tabelas e figuras e NÃO APENAS REPETIU OS DADOS. Verifique por último se os resultados estão relacionados com cada passo do protocolo apresentado no método da pesquisa.

Infelizmente, há muita ocorrência de plágio e manipulações nos resultados. No final deste post é possível ver alguns artigos relacionados a essa má conduta que pode banir o pesquisador da comunidade científica, ser demitido e acabar definitivamente com a sua carreira.

7 - Agora analise com detalhes as tabelas e figuras apresentadas no estudo e veja se as fórmulas estão adequadas ao método e protocolo da pesquisa, bem como se os cálculos estão corretos. Verifique se há evidência de omissão ou inconsistência de dados entre as tabelas ou figuras. Também se as figuras possuem boa qualidade e as colunas estão identificadas no texto. Verifique se os erros encontrados estão transcritos em outras partes do texto.

8 - Leia a seção de discussão e veja se o primeiro parágrafo está sucinto e claro com o que você viu no texto e não apresenta uma nova informação. Perceba se as conclusões estão justificadas e se é possível distinguir se é baseada em hipóteses ou apresenta comprovação no estudo. Não esqueça de verificar se o texto está estruturado e bem escrito, ou seja, informa e segue as normas de escrita [ABNT, IEEE, ACM, SBC]. 

Outra coisa importante é identificar se o estudo promove realmente aquilo que está descrito no resumo e na conclusão em comparação aos estudos anteriores. Portanto, verifique se as referências utilizadas para comparação são atuais e clássicas da área do estudo. 

Não esqueça de verificar se é possível cortar partes do texto que não informam e se existem limitações no estudo que outros já pesquisaram antes, o que enseja mais uma vez que o trabalho não fez uma boa revisão sistemática.

sábado, 26 de julho de 2014

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro divulgou o resultado de um estudo sobre a imobilidade urbana. Aquela situação que aborrece milhões de brasileiros, no caminho entre a casa e o trabalho. E a conclusão é que ficar engarrafado no trânsito custa muito caro. Na cidade grande, motorista é aquele profissional especializado em usar o freio. Os congestionamentos podem ser medidos em quilômetros, contados em minutos ou horas. A indústria fez o cálculo em dinheiro. E o resultado é espantoso: só nas duas maiores cidades do Brasil, em 2013, os engarrafamentos custaram R$ 98 bilhões. O equivalente a 2% de tudo o que o Brasil produz vira fumaça nas ruas do Rio e de São Paulo. Veja o vídeo da reportagem do Jornal Nacional de 25/07/2014



Mobilidade urbana por meio de vias inteligentes é um projeto que propõe o uso de sensores para monitoramento das condições do transporte público em tempo real. Baseado em dados coletados diretamente das vias, ônibus, trem e metrô, as informações são envidas aos centros de controle integrados que repassam as condições de capacidade das ruas e transporte público ao usuário através de painéis instalados em estações e pontos de embarque, além de aplicações a serem instaladas em smartphones.

quinta-feira, 19 de junho de 2014




Desde 1998, quando já programava em Visual Basic e Delphi, a maior novidade era a Internet com os seus 56kb de conexão de dados. Os sistemas eram centralizados e começavam a migrar para terminais e PCs utilizando uma arquitetura cliente & servidor. Cinco anos depois, a infraestrutura de comunicação melhorou, possibilitando empresas de médio e grande porte obter links via satélite e conexão ADSL, assim criaram seus próprios datacenters. A área de redes se tornou emergente e incluiu telefonia, vídeos e dados na mesma infraestrutura da empresa. Os sistemas desenvolvidos em Cobol foram migrados para ERPs e o que não era suportado em áreas de negócio específicas não era tão difícil criar um aplicativo personalizado em Delphi, Visual Basic e Access. Nessa época, estudantes de graduação e técnico se formavam em informática básica e havia muitos cursos de processamento de dados. Por consequência, a visão do mercado sofreu mudanças bruscas e o déficit de profissionais em TI já era uma realidade. A solução adotada por algumas empresas foi a oferta de vagas com treinamentos embutidos, onde a IBM era uma dessas empresas que ofereciam empregos com cursos de migração entre plataformas altas e baixas de forma recorrente entre 1999-2001 em São Paulo.

A partir de 2003 a Internet se tornou sólida e as pessoas tiveram acesso aos primeiros smartphones alguns anos depois. No Brasil 1/3 da população não tinha um computador, mas navegavam com mobilidade. Os negócios através dos dispositivos móveis começaram com os bancos do Brasil e Caixa, oferecendo mais facilidade no acesso às contas jurídicas através de aplicativos específicos com conexão segura via sockets e depois aberto ao público por meio da plataforma Java no celular.

A população em geral aprendeu a confiar no acesso virtual para acessar contas bancárias e realizar compras e o mercado cresceu além das lojas físicas, o que acarretou na segunda crise de profissionais, os de sistemas distribuídos pela Web. Mais uma vez, empresas como a IBM ofereceram um programa nacional de formação em aplicações escaláveis e distribuídas, dessa vez em parceria com SENAI/SENAC e conseguiram aumentar o contingente de profissionais para manter não só os seus negócios no país, mas os de outras empresas de TIC também.

Em 2010 smartphones e tabletes se tornaram comuns e mais de 2/3 da população mundial começaram a ler livros e usufruir de aplicações e jogos com maior facilidade de interação que um PC para se comunicar a distância. As redes sociais se tornaram parte da vida das pessoas e tornou-se muito mais simples criar, editar um vídeo e compartilhar na Internet. A infraestrutura de comunicação e dados das empresas migrou para o fracassado ASP (Application Service Provider) da década de 2000, agora com o nome de Nuvem. A aposta da Amazon para contornar os problemas de sobrevivência do seu negócio deu certo e a Microsoft, IBM e Oracle foram atrás.

Porém, o conhecimento em automação de processos de negócio utilizando diversos middlewares e plataformas específicas da Web 2.0 não é tão trivial. Não basta utilizar Ajax e aplicações Web comuns, é necessário construir aplicações cada vez mais customizadas com uma gama de frameworks para contornar problemas de performance e melhorar a experiência do usuário. Dessa vez, nenhuma empresa ofereceu um novo ciclo de aprendizado. Além disso, as universidades estão três décadas atrás do mundo corporativo e poucas atualizaram seu currículo. A consequência é que as empresas prestadoras de serviços em TIC não conseguem suprir a demanda atual em seus clientes.

A defasagem na formação em computação no Brasil é um aspecto relevante e que contribui com o apagão. Desde que decidi me tornar um arquiteto em 1996, até hoje não existe um curso de graduação que encurte esse caminho. Embora todos saibam que nos dias de hoje um arquiteto é fundamental para organizar tudo que existe no estado da arte das tecnologias empregadas nas empresas, dificilmente encontra-se um profissional desses. É necessário dezenas de anos de experiência, aprendizagem em gestão de projetos, processos de negócios, gestão de dados e infraestrutura, integrações com sistemas de hardware e software, além de codificação em diversas linguagens utilizadas nos ecosistemas das empresas. Portanto, um profissional que reúne competências de todos os perfis dos projetos tecnológicos, uma formação necessária, porém negligenciada pelas universidades brasileiras.

Muitos podem concordar que encontrar um arquiteto que reúna uma grande quantidade de competências seja realmente difícil, mas um simples desenvolvedor também é um entrave. Não existe mais o perfil de desenvolvedor, hoje, são praticamente engenheiros de software (engenharia apenas como terminologia, sem críticas por favor!). O desenvolvimento já era ágil quando sentava com os meus clientes e fazia os protótipos de telas funcionais em 2000 e 15 dias depois mostrava parte do sistema pronto conforme os requisitos acertados. Hoje, um sistema integrado às redes sociais do Twitter, Facebook, Linkedin e Slideshare, além de aplicativos Android, pode garantir uma vantagem competitiva à empresa que o lança primeiro. Não é mais admissível esperar meses para finalizar a elicitação de requisitos dos sistemas de software ou se perderá milhões de clientes em potencial. Dessa forma, não existe mais aquela conjectura de fábrica de software, o desenvolvedor é uma pessoa criativa, que contorna os problemas de comunicação e de negócios e está mais próxima do gestor, cliente e arquitetos. Ele não é especialista em uma linguagem, mas em uma plataforma inteira.

Na minha visão, a demanda por profissionais é uma consequência natural da evolução tecnológica, mas nos últimos cinco anos a falta de planejamento do mercado TIC (como um todo), por conta das diversas crises e necessidades de sobrevivência das empresas, perdeu-se o foco no mais importante para o suporte aos seus produtos: AS PESSOAS. É preciso retomar a mesma visão das soluções aprendidas no passado, que é o apoio à formação nas plataformas específicas ou então o apagão será ainda maior. 

Também nesse sentido, eu pesquiso arquitetura orientada a modelos (MDA) desde 2005 - um paradigma que facilita a criação de soluções tecnológicas para diversas plataformas a partir de um único modelo geral - não entendo como as grandes empresas formam consórcios como a OMG e W3C e, ainda assim, cada uma constrói sua plataforma específica. O que torna seus produtos restritos e dificulta ainda mais a absorção das novas tecnologias pelos profissionais. Se já é difícil encontrar profissionais, porque não oferecer uma plataforma comum que viabilize a implantação de paradigmas abertos como a MDA e SOA?

Inovar em tecnologia precisa ter sempre o foco nas pessoas. Espero que com a crise das redes sociais e smartphones, a geração da Internet das coisas (daqui a 3 anos) não tenha um impacto ainda pior (e acumulado) na geração de novos negócios pela ausência de profissionais competentes.

Proposta de solução: criar uma relação entre plano de vida e experiência do profissional x ciclo de desenvolvimento de produto  

Eu sou profissional e pesquisador, muita coisa que publico só vai ser utilizada pelo mercado 5 ou 10 anos depois. Quando me tornei especialista em SOA/BPM em 2006 era raro encontrar até ferramentas integradas com BPMN e geração de interfaces SOA. Tínhamos que escrever tudo na mão. Em 2 anos começaram a surgir vagas para duas plataformas ainda em formação, hoje são as duas maiores do mercado em SOA, apesar disso, formam-se poucos profissionais. Existe uma curva de aprendizado, todo mundo sabe, mas falta correlacionar isso a realidade de cada profissional em momentos de sua vida, vamos lá:

1) Desenvolvedor Jr estudante ou recém bacharel. Não compra muitos livros, assina revistas de tecnologias para se manter atualizado em uma plataforma específica. Plano de vida ainda em formação, mora com os pais ou saindo da república e percebendo que tudo que aprendeu na faculdade não serviu para muita coisa na vida real. Esses podem ser direcionados para tecnologias ainda não maduras, porque estão em fase de descobertas e possuem uma mente mais aberta e receptiva.

2) Desenvolvedor Pl graduado até 4 anos.
Já tem um certo domínio das tecnologias que trabalha e deseja se tornar arquiteto, especialista ou líder. Começa a pensar em cursos de pós-graduação, formação avançada e certificações. Compra muitos livros, porque os cursos das plataformas específicas são caros. Nesse nível, as tecnologias que estão em nível de aceitação no mercado e precisam de profissionais certificados poderiam aproveitar o plano de vida desses profissionais. Eles se dedicam sozinhos e ao se certificarem buscam novas empresas.

3) Desenvolvedor Sr a partir dos 5 anos de experiência.
Estamos falando de uma pessoa com quase 30 anos. Pensa em criar uma família, comprar um apartamento, fixar residência em qualquer lugar do país. Se for arquiteto, líder ou especialista não importa, o que a pessoa deseja é ter estabilidade financeira para tocar seu plano de vida. Essa é a faixa de idade que as empresas deveriam investir em treinamentos de tecnologias maduras, porque esses serão os profissionais que irão manter os produtos e a imagem da empresa a todo custo para manter o seu projeto de vida nos trilhos. Esses possuem muita cautela no investimento e aguardam novas tecnologias se tornarem maduras, por isso são os que mais tem dificuldade em se aperfeiçoar nas novas tecnologias. São a maior parcela dos profissionais de TIC.

4) Profissionais acima de 30 com mais de 10 anos de experiência. Esses já se tornaram especialistas em tecnologias maduras, grande parte são arquitetos, líderes e gerentes de projetos. Não precisam se atualizar em tecnologias com grande profundidade, apenas se reciclar, porque já possui seu próprio ritmo de atualização. Sabem quando investir em treinamentos e cursos e já tem um projeto de vida bem definido. Essas pessoas são os futuros gerentes de projetos ou arquitetos de soluções com expertise em diversas plataformas. Já passaram por muitas experiências de projetos, sabem lidar com clientes e possuem "feeling" para identificar riscos. Deveriam ser treinados na composição e apresentação de soluções corporativas, gerentes de projetos complexos ou portfólios de aplicações.

Sinceramente, como você acha que as empresas aproveitam esses profissionais em seu ciclo de produtos na realidade? Existe algum plano?



É claro que ao tentarmos definir qualquer modelo de classificação haverá exceções às regras. Em geral, é muito natural que pessoas mais jovens sejam mais abertas. Os mais jovens estão com plano de vida em construção, definindo requisitos e direções, portanto o plano de vida deles está completamente aberto à modificação. 

Pessoas mais maduras estão com o sistema em execução (mulher, casa, cachorro, filhos, sogra, mãe idosa). Poucos conseguem definir interfaces em seus planos as quais os permitam assimilar rapidamente inovações e aliar todo o seu conhecimento dependente delas. O problema dos maduros é ser o mais detalhista possível, aprofundando conhecimentos em uma tecnologia específica sem acompanhar a evolução do que acontece ao redor deles. Nesse caso, a inovação a ser gerada será dependente do conhecimento deles, portanto as empresas contratam pessoas mais jovens para inovar. É a realidade, mas não é o fim do mundo (veja o perfil 4 do post).

Lembre-se bem disto: inovar não é o papel de todos! Existem os que inovam e os que mantém a inovação. É o ciclo normal de produtos. Por isso, sugiro relacioná-lo com o ciclo natural das pessoas diante das suas próprias perspectivas de sucesso pessoal e profissional. 

Por ironia, as empresas reclamam que há um déficit de profissionais em TIC, quando na verdade não conseguem enxergar um grande capital intelectual embaixo dos próprios narizes. Muitas empresas descartam profissionais por pensar e manter seus departamentos completamente isolados. Por sinal, os gestores mal sabem avaliar subordinados e ainda mantém uma grande distância da vida pessoal deles. Em geral, essa falta de integração das áreas de negócios gera perdas enormes com contratações equivocadas e um grande problema de comunicação, já que suas ilhas não se conectam com as estratégias da empresa. Talvez, o primeiro passo seja alinhar as suas estratégias de negócio integrando os ecossistemas de produtos e serviços ao de retenção de talentos. Não é de pessoas que precisamos?

Google oferece curso que ensina como desenvolver aplicativos para o Android

Inscreva-se

Creative Commons 3.0. Tecnologia do Blogger.

Teste a Velocidade da Internet

Siga-me

Curta