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sábado, 26 de julho de 2014

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro divulgou o resultado de um estudo sobre a imobilidade urbana. Aquela situação que aborrece milhões de brasileiros, no caminho entre a casa e o trabalho. E a conclusão é que ficar engarrafado no trânsito custa muito caro. Na cidade grande, motorista é aquele profissional especializado em usar o freio. Os congestionamentos podem ser medidos em quilômetros, contados em minutos ou horas. A indústria fez o cálculo em dinheiro. E o resultado é espantoso: só nas duas maiores cidades do Brasil, em 2013, os engarrafamentos custaram R$ 98 bilhões. O equivalente a 2% de tudo o que o Brasil produz vira fumaça nas ruas do Rio e de São Paulo. Veja o vídeo da reportagem do Jornal Nacional de 25/07/2014



Mobilidade urbana por meio de vias inteligentes é um projeto que propõe o uso de sensores para monitoramento das condições do transporte público em tempo real. Baseado em dados coletados diretamente das vias, ônibus, trem e metrô, as informações são envidas aos centros de controle integrados que repassam as condições de capacidade das ruas e transporte público ao usuário através de painéis instalados em estações e pontos de embarque, além de aplicações a serem instaladas em smartphones.

sábado, 17 de maio de 2014

Há um bom tempo propus discutir a relação entre a desigualdade social e os procedimentos QUALIS-CAPES. Muitas pessoas achavam que era uma relação sem sentido, mas um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) demonstrou que pode ser possível que as desigualdades regionais estejam aumentando por causa disso.

Comecei a pensar sobre as consequências para o desenvolvimento econômico e social, percebi algo muito pior, a crescente falta de escrúpulo na condução de pesquisas científicas. Tal ação está fazendo o Brasil passar vexame em rankings científicos internacionais, mídias especializadas como o Retraction Watch e perder bilhões que poderiam ser aplicados em universidades que necessitam de recursos.

Durante 3 anos comecei a mapear artigos de algumas linhas de pesquisa, detectei como um padrão três ações principais: (i) professores se apropriando de trabalhos de alunos, (ii) criação de uma rede de publicação em revistas e congressos internacionais e (iii) diversos plágios de artigos e esquemas para aumentar as citações de grupos.

Vários alunos relataram em listas e blogs que seus trabalhos estavam sendo “furtados” pelos ex-orientadores. Eles terminam os cursos e os professores publicam artigos sobre os seus trabalhos, incluindo colegas como co-autores que em nada contribuíram no trabalho do aluno. Sobre isso, a lei de direitos autorais é clara: o estudante é sempre o autor principal do trabalho, a ele é reservado o direito de ter o nome incluído em todas as publicações!

A co-autoria também é um artifício utilizado para aprovação automática de artigos em conferências e revistas, tornando-se outro ato comum entre as más condutas na pesquisa científica. Percebi uma rede com a colaboração de editores e pesquisadores. Os editores são incluídos como co-autores para que a publicação seja aceita em revistas e os pesquisadores que possuem status em determinada linha para facilitar a aceitação de artigos em eventos científicos. Sobre essa prática, estudantes são induzidos a participar de esquemas de co-autoria, e pela falta de divulgação de boas práticas nas pesquisas científicas, acredito que eles nem sabem o que fazem. Entretanto, como autores principais do trabalho, infelizmente tem maiores chances de serem responsabilizados.

A terceira prática mais comum é o plágio, mas há um novo tipo de plágio que não é amplamente divulgado pela mídia científica: o plágio de trabalhos do próprio grupo. Pesquisando artigos de linhas de pesquisa detectei alunos plagiando trabalhos uns dos outros, com cópias de textos e aumentando o número de citações dos trabalhos do grupo em que atuam. Em uma linha, uma comunidade inteira repete essa ação e tenta despistar co-autorias em trabalhos. Ora um é autor, ora é outro colega, formando pequenos grupos. Todas essas práticas são nocivas para a formação do estudante e não contribui para o desenvolvimento da linha de pesquisa. Os estudantes estão enganando a si mesmo, o programa e todo o país. 

Engana a si mesmo porque a formação de um verdadeiro cientista inclui o trabalho ético na condução de uma pesquisa. O cientista deve propor avanços na sua linha de pesquisa e tais avanços podem ser comprovados através das citações do seu trabalho. Organizar grupos de colegas para aumentar a citação de trabalhos é uma fraude, o custo de uma pesquisa no Brasil não é baixo. O dinheiro investido nesse tipo de crime poderia alimentar muitas bocas famintas nas regiões mais pobres do país. 

Engana o programa porque muitos outros pesquisadores conduzem as suas pesquisas com correção e serão todos vistos como corruptos. Uma vez que membros do mesmo programa já praticam más condutas com tanta liberdade, pois falam abertamente e escrevem e-mails sem qualquer preocupação, logo isso sairá na mídia. As universidades deveriam punir com rigor, aplicando sanções internas exemplares para evitar que um pesquisador manche a reputação da instituição. Também, trabalhos publicados e citados por esses esquemas não representam a verdadeira qualidade do programa, é possível perceber estudantes que mal sabem escrever um artigo e como estão despreparados para conduzir uma pesquisa científica após o doutorado. 

Engana o país porque poucos pesquisadores são favorecidos em detrimento de bilhões que são gastos nesses esquemas. Mas o pior está por vir. Por não contribuir na verdadeira formação de cientistas, por não propor inovações verdadeiras que mereçam de fato serem publicadas e inflar a publicação de programas de pós-graduação em que atuam, o dano é muito maior para o desenvolvimento econômico e social do país, pois más condutas estão contribuindo para o aumento das desigualdades regionais.

Embora não existam estudos, é possível imaginar o que todas essas trapaças possam causar. A qualidade na formação de recursos humanos, inovação e fator de impacto das publicações são variáveis contudentes, como consequência, podemos associar também esses dados a queda de algumas universidades brasileiras em rankings internacionais.

Dos muitos males que a falta de escrúpulo possa causar no desenvolvimento econômico e social do país é certo que os bilhões gastos nessas pesquisas poderiam ser investidos em pesquisas que realmente poderiam propor avanços. Os programas de pós-graduação foram expandidos e matricularam muito mais estudantes nesta década como nunca se viu no país. Enquanto isso, muito do que poderia ser aplicado em inovação está sendo utilizado em benefício próprio de pequenos grupos. É preciso analisar cada área de conhecimento, cada grupo de pesquisa e retirar essas pragas antes que estraguem um campo inteiro da ciência no país.

A metodologia que utilizei para fazer esse estudo, que será publicado futuramente, envolveu a investigação de redes de colaboração em diversas linhas de pesquisa. Desde os alunos de graduação até doutorado de alguns pesquisadores das maiores universidades do país. Os trabalhos dos alunos estão nas bibliotecas institucionais, os artigos, as participações em bancas e todas as informações de orientação na plataforma lattes.

segunda-feira, 12 de maio de 2014



Resumo

O século XXI foi marcado principalmente pelo êxodo rural em todo mundo. Por causa da urbanização e o desenvolvimento econômico dos grandes centros, bilhões de pessoas foram atraídas em busca de melhores oportunidades. Em 2008, metade da população do planeta vivia nas cidades e estima-se que esse número irá crescer em 70% até 2050. Por conta disso, os engarrafamentos nos grandes centros são frequentes e tem um custo de mais de 50 bilhões por ano só na cidade de São Paulo. Este trabalho sugere a implantação de vias inteligentes para informar em tempo real as melhores rotas de acordo com a capacidade da via através da coleta e envio de dados para um centro de operações integradas de tráfego urbano (e.g., metrô, trem e ônibus). Espera-se construir um software inteligente e integrado com o centro de controle de tráfego da cidade de São Paulo, reduzir o custo com engarrafamentos e proporcionar uma melhoria significativa na qualidade de vida das pessoas. Após, replicar este trabalho por todo o país.

Apresentação no Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação (SBSI 2014) 

Referências



domingo, 4 de maio de 2014


Existem variáveis que impactam no desenvolvimento social de uma região. Por exemplo, idade, escolaridade, renda familiar, número de computadores em casa, escolaridade da mãe, escolaridade do pai, gênero e fluência em língua estrangeira, são as principais responsáveis por alterar o nível de inclusão digital. A consequência do nível de inclusão digital de uma região está diretamente relacionada com o desenvolvimento social dos seus cidadãos e de sua economia.

Em outra visão, o QUALIS existe para melhorar a qualidade da produção científica brasileira. Antes, a produção científica, na maioria das universidade, era de mais de 50% classificada nos estratos superiores, algumas mais de 80%. A CAPES então dificultou o aumento da publicação nesses estratos, reclassificando toda a produção científica pelo fator de impacto.

De 2009 até 2013, não aumentamos a qualidade da produção científica com a nova reclassificação. Na verdade, a qualidade da produção científica não caiu, continua a mesma, os estratos que foram reclassificados. Se a questão foi evitar o aumento da distribuição dos recursos de forma igualitária, que é a opinião de muitos, o argumento tem um grande suporte quando analisamos aspectos sociais. 

É lógico que as regiões com menor nível de inclusão digital terão ainda mais dificuldade para publicar nos estratos superiores. Entre os diversos fatores sociais e econômicos, um deles é fácil observar sem estudos aprofundados: o aumento do número de estudantes das regiões mais pobres do país nas grandes universidades brasileiras. Se por um lado tal fato seria um grande motivo de comemoração, já que o acesso as boas universidades estava restrito aos mais ricos, um problema grave está passando despercebido pelos governos: a diminuição do capital intelectual das regiões mais pobres aumenta a desigualdade social no país.

Em resumo, as regiões mais pobres têm se esforçado para formar uma quantidade maior de profissionais para atender as suas demandas sociais e econômicas, apesar das deficiências de recursos. Entretanto, o êxodo de estudantes para as poucas grandes universidades do país, elevando ou mantendo a qualidade dos programas dessas universidades, tem implicações.

É lógico, que os programas das regiões mais pobres não teriam como suportar o aumento da demanda, mas perdem justamente os seus melhores alunos quando estes estariam aptos a dar a sua primeira contribuição à universidade. Perdem muito com a ausência deles, já que boa parte dos recursos da pesquisa científica são liberados através da análise das publicações, assim faltam bolsas para manter o restante. Nesse caso, a taxa de desenvolvimento social é muito mais determinante no sucesso desses programas e a dificuldade em formar profissionais mais qualificados só aumenta.

Recapitulando até agora... Os procedimentos QUALIS-CAPES existem para melhorar a qualidade da produção científica brasileira. Depois de 4 anos não melhorou a qualidade, mesmo nas grandes universidades, e ainda contribui para o aumento da desigualdade social entre as regiões.

Primeiro dificultou o acesso aos recursos de metade das universidades brasileiras, reclassificando os estratos em 2009. Depois, diminuiu a principal fonte de sustentação dos cursos, a bolsa de estudos, forçando a migração dos bons estudantes para as regiões mais ricas do país. Como consequência, as regiões mais pobres, que possuem um baixo nível de inclusão digital, possuem maior dificuldade para publicar nos estratos superiores. Não conseguem reter os pós-graduandos, e assim, aumenta-se ainda mais a desigualdade social.

Segundo estudo realizado pelo IPEA em 2011, à adoção, pelas agências de fomento, de critérios de excelência no julgamento de projetos de pesquisa têm mantido as desigualdades regionais em CT&I no Brasil ao longo da última década. Nesse excelente estudo, também é aprofundada a análise do êxodo de estudantes para os grandes centros.

Ainda não analisei outros aspectos, por exemplo, a imagem da ciência brasileira no mundo depois da nova reclassificação. Nesse sentido, os escândalos proporcionados pela ciência brasileira que reverberaram, até na Nature, quando houve um esquema de citações para aumentar o fator de impacto de algumas revistas brasileiras na área de medicina. Ainda sobre a área médica, eles foram o que mais reclamaram da nova reclassificação, o que poderia até indicar que iriam fazer alguma coisa para burlar os procedimentos. Como muitos fazem, em diversas áreas, incluindo plágios e esquemas de co-autoria em publicações científicas.

Acredito que deveria haver mais estudos com essas visões, já que a principal motivação para a criação da universidade é o desenvolvimento social. Neste rápido resumo, é possível perceber que o QUALIS-CAPES além de não oferecer o suporte adequado para avaliar a qualidade da produção científica, contribui com a desigualdade social entre as regiões, o que vai na contramão da própria razão da existência das universidades. Afinal de contas, para que(m) serve a nova reclassificação do Qualis-CAPES?

Se você ainda não conseguiu entender que associar políticas públicas para combater a desigualdade social, além de dever do estado, pode causar um impacto positivo em toda a sociedade, veja o documentário premiado abaixo: "A História da Pobreza: Por que a pobreza?"


 
Não conseguiu entender ainda? Ok, então veja como a sua vida corre perigo nas mãos de estudantes sem futuro das regiões mais pobres, que ainda menores e sem perspectiva, são os maiores produtores de violência no pais. Essa é a principal consequência da desigualdade social que afeta todos nós diariamente e por todo o Brasil, veja aqui no Mapa da Violência.

terça-feira, 25 de junho de 2013

ESQUEÇA O FANTÁSTICO, CRIE SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA ANALISANDO OS DADOS!.


Desde o dia 16/06/2013 há diversas manifestações no país. O programa da TV aberta Fantástico mostrou uma pesquisa de opinião, que na minha opinião é tendenciosa, além de muito superficial. Por isso resolvi compartilhar os meios pelos quais a sociedade se organizou para apresentar um termômetro de tudo isso, de forma aberta, transparente, onde cada qual possa construir a sua própria conclusão. 

Através do histório das manifestações vou apresentar recursos para que se mantenha bem informado!. GUARDE OS LINKS E APRENDA A TER CONSCIÊNCIA POLÍTICA!!. As mídias em geral, analisam apenas os ASPECTOS DA ECONOMIA dos países e não os sociais, como: SAÚDE, SEGURANÇA, EDUCAÇÃO e GASTOS DOS POLÍTICOS BRASILEIROS (novo). É preciso OUVIR A POPULAÇÃO!.

Todas as manifestações iniciaram a partir do aumento da tarifa dos transportes públicos em São Paulo, através do Movimento Passe Livre (MPL). Você conhece a origem do movimento iniciado pelos soteropolitanos em 2003?.

Ontem nós estávamos discutindo o projeto tarifa zero e pasmem!! é viável, já foi tudo calculado pelo secretário de transportes da prefeitura de SP, na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, usando o IPTU. O problema é que não saiu da mesa da secretaria dostransportes, porque as empresas de ônibus e a máfia dos transportes públicos não deixaram nem entrar na câmara para votação. Vou retomar esse assunto lá na frente com a reforma política que a presidenta Dilma "propôs" ontem.

O MPL foi para as ruas, ainda que tenha uma certa desconfiança de toda essa exposição na mídia, eles não aproveitam os espaços que estão tendo na mídia para explicar COMO A TARIFA PODE SER ZERO?, assim veja o vídeo acima e leia mais aqui.

O povo começou a ir para as ruas protestando não só sobre o aumento das tarifas em São Paulo, mas tudo que está errado na sua região. Então como sintetizar uma pauta para tantas reinvidicações?. Onde elas estão realmente acontecendo?. 

Outra coisa importante nesse cenário é que, em muitas manifestações pelo país, a corrupção está presente como uma das principais indignações do brasileiro. Todos querem saber PARA ONDE FOI MEU DINHEIRO, QUAIS EMPRESAS REALIZARAM DOAÇÕES A QUAIS POLÍTICOS, COMO É CALCULADO O TRANSPORTE PÚBLICO, além de exigir que seja caracterizada como crime hediondo e haja uma reforma política para evitar a roubalheira.

A reforma política é um assunto amplo. Não se trata apenas da corrupção, mais a representação legítima dos interesses do povo. Em 2009, o grupo IDS fez um workshop sobre POLÍTICA 2.0, apresentando uma série de problemas e respostas junto com especialistas em ciência política. É possível formar uma idéia, em apenas 30 minutos, sobre o que desejamos ter na reforma política. Uma das coisas importantes, é evitar a máfia dos transportes públicos, por eliminar o financiamento de empresas privadas ou tornar mais transparente as licitações e contribuições recebidas pelos políticos no portal do Tribunal Superior Eleitoral. 

Uma das maiores frases de efeito entoadas pelas redes sociais é que "o gigante acordou". Eu só espero que ele continue vigilante, fiscalizando sempre os GASTOS PÚBLICOS DO GOVERNO FEDERAL, GASTOS COM A COPA, ORÇAMENTO PÚBLICO, rastreando os recursos repassados e agariados nos municípios e (novo) INDICADORES DOS ESTADOS PARA COBRAR PLANEJAMENTO.

Quem desejar CONTRIBUIR EFETIVAMENTE já pode começar por aqui e participar do planejamento participativo da sua cidade, incluindo a fiscalização da cidade enviando fotos.

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