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terça-feira, 3 de junho de 2014





A escolha de um programa de pós-graduação não deve ser restrita a avaliação CAPES. Embora seja um fator importante a considerar, um programa que se mantém no topo pode promover pouca inovação nas pesquisas, focar na publicação de artigos e não na formação de um pesquisador completo. 

A partir de métricas internacionais, eu vou tentar traçar um perfil do que seria o melhor curso de pós-graduação, independente da sua área de pesquisa. 

Primeiro vamos desconstruir a ideia que um bom pesquisador é aquele que publica uma grande quantidade de artigos. Na verdade, um bom pesquisador possui características importantes que não são avaliadas por programas de pós-graduação: 

  1.  Ser bem educado 
  2. Ter capacidade de aprender sozinho
  3. Ter pensamento crítico
  4. Ser hábil em coletar, analisar e assimilar informações complexas 
  5. Saber gerenciar suas próprias atividades 
  6. Ter boa comunicação 
  7. Questionar as direções dos trabalhos científicos 
  8. Influenciar pessoas 
  9. Promover impacto social e 
  10. Contribuir significativamente com o crescimento da região e do país

Pessoalmente, eu considero um bom programa de pós-graduação aquele que reúne estudantes e professores com todas essas características. Nesse sentido, ter espaço para inovação, e não apenas repetir as mesmas direções das pesquisas, promove um desafio que desperta o meu interesse.  

Por acreditar nessas métricas, que são medidas por programas de excelência internacional, percebo que há uma divergência desde a seleção dos estudantes e durante a medição do desempenho destes na maioria dos programas de pós-graduação do país. 

Perceba que nas duas últimas décadas é comum encontrar bons pesquisadores e docentes formados com doutorado no exterior e estes são os que verdadeiramente têm promovido uma revolução nas regiões quando retornam. Um grande exemplo é o Silvio Meira, professor da UFPE e cientista chefe do C.E.S.A.R. 

Uma dica importante é escolher entre os programas de pós-graduação quais pesquisadores são bem formados, ou seja, possui todas essas características que podem ser repassadas para você. Veja se o grupo de docentes que atua no programa se formou em uma universidade de excelência internacional nesse ranking ou indiretamente através do ex-orientador do seu futuro orientador.

Não se apresse na formação de doutor, o mais importante é se aproximar das caraterísticas de um pesquisador completo . Por possuir características importantes de um pesquisador, terá muito mais chances de obter sucesso na carreira científica e ter o diferencial para se destacar da maioria. 

  
Repense a maneira que você conhece sobre aprender e partilhar conhecimento:

domingo, 4 de maio de 2014


Existem variáveis que impactam no desenvolvimento social de uma região. Por exemplo, idade, escolaridade, renda familiar, número de computadores em casa, escolaridade da mãe, escolaridade do pai, gênero e fluência em língua estrangeira, são as principais responsáveis por alterar o nível de inclusão digital. A consequência do nível de inclusão digital de uma região está diretamente relacionada com o desenvolvimento social dos seus cidadãos e de sua economia.

Em outra visão, o QUALIS existe para melhorar a qualidade da produção científica brasileira. Antes, a produção científica, na maioria das universidade, era de mais de 50% classificada nos estratos superiores, algumas mais de 80%. A CAPES então dificultou o aumento da publicação nesses estratos, reclassificando toda a produção científica pelo fator de impacto.

De 2009 até 2013, não aumentamos a qualidade da produção científica com a nova reclassificação. Na verdade, a qualidade da produção científica não caiu, continua a mesma, os estratos que foram reclassificados. Se a questão foi evitar o aumento da distribuição dos recursos de forma igualitária, que é a opinião de muitos, o argumento tem um grande suporte quando analisamos aspectos sociais. 

É lógico que as regiões com menor nível de inclusão digital terão ainda mais dificuldade para publicar nos estratos superiores. Entre os diversos fatores sociais e econômicos, um deles é fácil observar sem estudos aprofundados: o aumento do número de estudantes das regiões mais pobres do país nas grandes universidades brasileiras. Se por um lado tal fato seria um grande motivo de comemoração, já que o acesso as boas universidades estava restrito aos mais ricos, um problema grave está passando despercebido pelos governos: a diminuição do capital intelectual das regiões mais pobres aumenta a desigualdade social no país.

Em resumo, as regiões mais pobres têm se esforçado para formar uma quantidade maior de profissionais para atender as suas demandas sociais e econômicas, apesar das deficiências de recursos. Entretanto, o êxodo de estudantes para as poucas grandes universidades do país, elevando ou mantendo a qualidade dos programas dessas universidades, tem implicações.

É lógico, que os programas das regiões mais pobres não teriam como suportar o aumento da demanda, mas perdem justamente os seus melhores alunos quando estes estariam aptos a dar a sua primeira contribuição à universidade. Perdem muito com a ausência deles, já que boa parte dos recursos da pesquisa científica são liberados através da análise das publicações, assim faltam bolsas para manter o restante. Nesse caso, a taxa de desenvolvimento social é muito mais determinante no sucesso desses programas e a dificuldade em formar profissionais mais qualificados só aumenta.

Recapitulando até agora... Os procedimentos QUALIS-CAPES existem para melhorar a qualidade da produção científica brasileira. Depois de 4 anos não melhorou a qualidade, mesmo nas grandes universidades, e ainda contribui para o aumento da desigualdade social entre as regiões.

Primeiro dificultou o acesso aos recursos de metade das universidades brasileiras, reclassificando os estratos em 2009. Depois, diminuiu a principal fonte de sustentação dos cursos, a bolsa de estudos, forçando a migração dos bons estudantes para as regiões mais ricas do país. Como consequência, as regiões mais pobres, que possuem um baixo nível de inclusão digital, possuem maior dificuldade para publicar nos estratos superiores. Não conseguem reter os pós-graduandos, e assim, aumenta-se ainda mais a desigualdade social.

Segundo estudo realizado pelo IPEA em 2011, à adoção, pelas agências de fomento, de critérios de excelência no julgamento de projetos de pesquisa têm mantido as desigualdades regionais em CT&I no Brasil ao longo da última década. Nesse excelente estudo, também é aprofundada a análise do êxodo de estudantes para os grandes centros.

Ainda não analisei outros aspectos, por exemplo, a imagem da ciência brasileira no mundo depois da nova reclassificação. Nesse sentido, os escândalos proporcionados pela ciência brasileira que reverberaram, até na Nature, quando houve um esquema de citações para aumentar o fator de impacto de algumas revistas brasileiras na área de medicina. Ainda sobre a área médica, eles foram o que mais reclamaram da nova reclassificação, o que poderia até indicar que iriam fazer alguma coisa para burlar os procedimentos. Como muitos fazem, em diversas áreas, incluindo plágios e esquemas de co-autoria em publicações científicas.

Acredito que deveria haver mais estudos com essas visões, já que a principal motivação para a criação da universidade é o desenvolvimento social. Neste rápido resumo, é possível perceber que o QUALIS-CAPES além de não oferecer o suporte adequado para avaliar a qualidade da produção científica, contribui com a desigualdade social entre as regiões, o que vai na contramão da própria razão da existência das universidades. Afinal de contas, para que(m) serve a nova reclassificação do Qualis-CAPES?

Se você ainda não conseguiu entender que associar políticas públicas para combater a desigualdade social, além de dever do estado, pode causar um impacto positivo em toda a sociedade, veja o documentário premiado abaixo: "A História da Pobreza: Por que a pobreza?"


 
Não conseguiu entender ainda? Ok, então veja como a sua vida corre perigo nas mãos de estudantes sem futuro das regiões mais pobres, que ainda menores e sem perspectiva, são os maiores produtores de violência no pais. Essa é a principal consequência da desigualdade social que afeta todos nós diariamente e por todo o Brasil, veja aqui no Mapa da Violência.

quinta-feira, 6 de junho de 2013


CAPES II Encontro Nacional do Parfor 2013: O Desafio de aliar a Tecnologia a Formação de Professores

 O Parfor, é um programa instituído em regime de colaboração entre a Capes, os estados, municípios, o Distrito Federal e as Instituições de Educação Superior – IES. O seu objetivo é induzir e fomentar a oferta de educação superior, gratuita e de qualidade, para professores em exercício na rede pública de educação básica, para que estes profissionais possam obter a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB e contribuam para a melhoria da qualidade da educação básica no País.

Durante 5-7 de junho de 2013 está acontecendo o II encontro nacional do Parfor, momento o qual os participantes do programa fomentam a troca de experiências e reflexões sobre a formação inicial de professores em exercício. Entre as palestras previstas na programação, assisti a: "Formação de Professores e a Profissão Docente", "Articulação entre teoria e prática na Formação de Professores", além de uma apresentação sobre "O Desafio de alilar a Tecnologia e a Formação de Professores" proferida pela Cisco Brasil.

Minha participação no Parfor 2013 se deu ao final da última palestra:
1 - Existe alguma dependência do ensino 3.0 e Web 3.0? quais?.
2 - Como deveria ser um ambiente de ensino 3.0?
3 - Haveria necessidade de mudança no sistema educacional?
4 - Qual seria o custo de implantação do ensino 3.0 nas escolas?. Como medir a sua efetividade?.
 
As minhas perguntas tentaram elencar os verdadeiros desafios na utilização de novas tecnologias para a formação de docentes, principalmente destacar uma dicotomia entre o uso de uma tecnologia na educação e a implantação de uma infraestrutura de TIC para suportar um plano de negócio.


Na apresentação da Cisco, o papel das tecnologias na educação foi promovido com a apresentação de casos, onde o dimensionamento adequado da infraestrutura de TIC resolveu os problemas. Porém, a interatividade entre os alunos e professores será feita, principalmente, através das aplicações Web 3.0 (Internet, Smartphones e Tablets). Pois, espera-se que o conteúdo seja organizado de forma inteligente e apresentado consonante às interfaces dos dispositivos, aumentando a colaboração entre as pessoas. Nessa perspectiva, pouco se falou no design do ambiente de ensino 3.0 e o que ele precisa para garantir essa colaboração. Grande parte das salas de aula no pais seguem um formato convencional com o enfileiramento das carteiras dos alunos.

Vários problemas não foram discutidos na palestra. O primeiro foi o custo total de uma solução, já que para criar um ambiente 3.0 é preciso investir no uso das novas tecnologias em todas as etapas do ensino. Também, gerenciar os impactos com essa mudança, pois em muitas instituições ainda prevalece o sistema de ensino face-a-face. Alguns programas sociais (bolsa família) e de estágios utilizam os dados desse sistema para controlar a fequência dos alunos durante o pagamento dos auxílios. Outros problemas foram completamente ignorados, desde os aspectos de identificação, quando da inexistência de camêras, e principalmente a segurança dos dados, já que a Cisco pretende disponibilizá-los através da computação em nuvem focando na mobilidade. 

Propiciar uma experiência virtual de ensino-aprendizagem não é fácil, já idenficamos muitas dificuldade através do fórum da SBC, o que gerou inclusive a criação de um workshop para discutir esses desafios:


O ensino 3.0 precisa ser pensado com mais profundidade, não apenas implantar uma infraestrura de TIC nas escolas. Aliás, isso qualquer um sabe fazer ou precisamos de especialistas para conectar nosso smartphone e computador à Internet e utilizar Google hangout, Skype, Facebook, Google maps, etc. usando Wi-Fi?.

Há vários projetos no Brasil demonstrando como aliar a tecnologia e o ensino, onde muitas aplicações são disponibilizadas de forma gratuita aqui:
 https://www.facebook.com/ComputerScienceUnplugged


Recentemente, pesquisadores da Sociedade Brasileira de Computação desenvolveram uma plataforma educacional que possibilita os alunos do ensino médio estudarem para o ENEM: http://www.meututor.com.br/

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